*Às vezes, a própria natureza decide abrir o livro da História. O furacão Maria, em sua fúria devastadora, não apenas deixou rastros de destruição em Dominica, mas também revelou segredos que permaneceram soterrados por séculos em Woodford Hill.*
📍 Local: Woodford Hill, Dominica (Caribe)
O dia em que a fúria revelou memórias
Em setembro de 2017, Dominica enfrentou a força devastadora do furacão Maria. A erosão costeira expôs artefatos de séculos atrás. Para os arqueólogos, aquilo era mais do que destruição: era a chance de revelar vidas do passado, detalhes que nenhum mapa antigo poderia contar.
A praia de Woodford Hill se tornou um palco natural, mostrando fragmentos de cerâmica, contas de vidro e pêndulos de concha. Cada item é uma peça de uma narrativa viva que conecta indígenas, colonizadores e viajantes do passado.
A equipe por trás da descoberta
A investigação foi conduzida por Mark Hauser (Northwestern University), Douglas Armstrong (Syracuse University) e Lennox Honychurch (Island Heritage Initiative). Cada camada escavada revelava não só objetos, mas também os modos de vida, comércio e cultura do passado.
A mistura de artefatos indígenas, africanos e europeus evidencia o complexo mosaico cultural do Caribe colonial, transformando a escavação em um diálogo silencioso com séculos de história.
Um edifício enigmático
Entre os achados, destacou-se a base de um edifício europeu, provavelmente uma taverna ou armazém, construído no início do século XVII e abandonado no início do XVIII. Este é o primeiro vestígio de uma estrutura permanente europeia em Woodford Hill.
O edifício funcionava como ponto de encontro e comércio, conectando comunidades indígenas e colonizadores. Sua localização estratégica evidencia Woodford Hill como ponto central do comércio regional.
Camadas ainda mais antigas
Sob a fundação, a equipe encontrou vestígios de um assentamento datado entre 1477 e 1640. Isso mostra que a região era habitada por comunidades indígenas muito antes da chegada europeia.
Ferramentas, cerâmicas e resíduos orgânicos indicam atividades agrícolas, artesanais e comerciais, reforçando Woodford Hill como núcleo cultural ativo.
Mapas, corsários e memórias
Mapas antigos e relatos de Sir Francis Drake e John Hawkins mencionam vilas próximas à costa. Ali, indígenas cultivavam tabaco e realizavam trocas comerciais com ingleses e franceses.
Esses registros confirmam a complexidade cultural e econômica da região, revelando relações de troca e cooperação entre diferentes povos.
Inventário de objetos
Entre os achados estão cerâmicas europeias, contas de vidro, pêndulos de concha, quartzo cristalino, trade bells, cerâmica Cayo e restos de alcatrão solidificado da árvore La Suau.
Hibridismo cultural
A mistura de artefatos evidencia que Woodford Hill era um espaço de hibridismo cultural. Indígenas, africanos e europeus deixaram marcas simultâneas na região, tanto nos objetos quanto nas construções.
Linha do tempo de memórias
Do início do século XVII, com a construção do edifício europeu, ao abandono no início do século XVIII, até camadas mais antigas de 1477 a 1640, Woodford Hill mostra que nada na história se perde, apenas se esconde.
O que nos ensina
Mais do que arqueologia, essa descoberta é um lembrete de que os rastros da humanidade permanecem. E quem diria que um furacão seria o “curador” do passado, reabrindo o museu do tempo em Woodford Hill?
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